Súmula Internacional 138: A “Armadilha de Tucídides” no encontro entre Xi Jinping e Trump
Leia mais: Postura inabalável do soldado chinês viraliza na internet / Explode número de crianças palestinas colocadas em solitárias / Evento imperdível neste sábado, em São Paulo, com dirigente do PC de Israel
Durante as conversações com seu homólogo estadunidense Donald Trump, nesta quinta-feira (14), em Pequim, o presidente chinês Xi Jinping fez a seguinte declaração, reportada pelo site Diário do Povo (clique no link para ver a matéria original): “Uma transformação não vista em um século está se acelerando em todo o mundo, e a situação internacional é instável e turbulenta. Será que a China e os Estados Unidos podem superar a Armadilha de Tucídides e criar um novo paradigma para as relações entre grandes potências? (…) esta é uma questão vital para a história, para o mundo e para os povos“.
Tucídides foi um general e historiador da Grécia antiga que escreveu “A história da Guerra do Peloponeso”, confronto do qual foi participante ativo.
Para Tucídides, a guerra entre Atenas e Esparta, ocorrida entre 431 e 404 A.E.C., era inevitável pois Esparta não aceitaria pacificamente o desafio à sua hegemonia por parte de Atenas, uma potência emergente, e as duas cidades-estados tinham que se confrontar para decidir quem seria a potência hegemônica da Hélade.
Com base nesse diagnóstico do antigo general ateniense surgiu o termo, cunhado pelo cientista político norte-americano Graham Allison, de “Armadilha de Tucídides”, expressando o conceito de que uma guerra é muito provável e praticamente certa quando uma potência emergente desafia o status de uma potência hegemônica.
Deixando à parte as quase sempre otimistas declarações finais depois de um encontro entre dois chefes de Estado, ao colocar de forma franca a questão da “Armadilha de Tucídides”, o presidente Xi Jinping informa duas coisas essenciais: a determinação em evitar ao máximo cair na “Armadilha” ao mesmo tempo em que adverte, de forma sutil, que a China está atenta — e se preparando — para essa possibilidade.
Espero que alguém tenha explicado isso ao presidente Trump.
Postura inabalável do soldado chinês viraliza na internet
Na noite de quarta-feira (13), Jon Michael Raasch, correspondente do Daily Mail na Casa Branca, publicou um vídeo de 35 segundos mostrando um soldado do Exército de Libertação Popular da China em posição ereta ao lado da pista do aeroporto enquanto o avião presidencial Air Force One fazia uma curva lentamente atrás dele. Apesar do barulho ensurdecedor dos motores e da proximidade da aeronave, o soldado pareceu completamente impassível até que o avião passasse totalmente.
Raasch legendou o vídeo com a frase: “Esse cara nem sequer piscou… e o avião está rugindo alto.” Até o momento da publicação, o clipe havia recebido mais de 2,8 milhões de visualizações e mais de 24 mil curtidas na plataforma X.
As imagens se espalharam rapidamente por várias redes sociais e foram republicadas por diversos veículos internacionais. O Daily Mail compartilhou o vídeo com a legenda: “Soldado chinês não se mexe enquanto o Air Force One passa pela pista”, enquanto a RT republicou as imagens com a frase: “Oficial chinês viraliza por permanecer completamente imóvel enquanto o Air Force One passa a poucos metros de distância.”
O vídeo também provocou uma onda de comentários elogiando a disciplina e o profissionalismo do soldado. Na publicação de Raasch, um usuário escreveu: “Não apenas o soldado, mas também a nação permanece firme nos assuntos mundiais.” Outro comentário dizia: “Este é um soldado da guarda de honra do EPL. Ele sempre permanece orgulhosamente ereto e jamais relaxará ou cairá. Esta é a civilização chinesa, é a etiqueta de Estado da China.”
Um jornal da Índia comentou: “Fale em nervos de aço. Quando o Air Force One pousou em Pequim hoje, não foram os CEOs bilionários nem o presidente que viralizaram — foi este militar chinês. Parado a poucos metros do enorme jato, ele não piscou, não se moveu nem mexeu um músculo. É uma aula magistral da lendária disciplina cerimonial do Exército de Libertação Popular.” Fonte: Global Times.
Explode número de crianças palestinas colocadas em solitárias por Israel

Ahmad Manasra foi preso em 2015 quando tinha 15 anos e ficou mais de nove anos no cárcere, boa parte em regime de solitária. Saiu com sequelas emocionais graves
O número de crianças palestinas submetidas ao confinamento solitário em prisões israelenses explodiu desde o início da guerra em Gaza. Dados obtidos pela organização Médicos pelos Direitos Humanos junto ao Serviço Prisional israelense apontam que o número de menores em regime de isolamento saltou de 50 em 2023 para 290 em 2024.
O sistema prisional israelense adota dois tipos de isolamento: o punitivo, de até 14 dias, e o chamado “dissuasório”, que pode durar seis meses e ser renovado indefinidamente. Organizações de direitos humanos afirmam que o confinamento solitário, amplamente aplicado contra palestinos, provoca graves consequências psicológicas e físicas, como alucinações, perda de memória e transtornos mentais.
Segundo relatos de prisioneiros palestinos, as condições nas prisões pioraram após outubro de 2023, com denúncias de fome, disseminação de doenças e violência praticada por guardas. Para Oneg Ben-Dror, da Médicos pelos Direitos Humanos, uma prática antes considerada excepcional tornou-se rotineira, inclusive contra mulheres e crianças.
O Serviço Prisional israelense alegou que o aumento decorre da ampliação do número de presos por “razões de segurança” desde o início da guerra em Gaza.
Atualmente, mais de 9.600 palestinos estão detidos em prisões israelenses. Desses, ao menos 3.532 encontram-se sob detenção administrativa, mecanismo que permite prisão sem acusação formal ou julgamento por períodos renováveis de seis meses. Entre os presos estão 342 crianças, 84 mulheres e 119 condenados à prisão perpétua. Fonte: Fepal, com Middle East Eye
Evento imperdível neste sábado, em São Paulo, com dirigente do PC de Israel
Neste sábado (16), o auditório da sede do PCdoB em São Paulo (Rua Rego Freitas, 192 – República) receberá, às 15h, a Secretária de Relações Internacionais do Partido Comunista de Israel, Reem Hazzan, que falará sobre “A causa Palestina e a luta dos comunistas contra a ocupação”. O evento é uma promoção do PCdoB e do Cebrapaz.
Além de ser um espaço de formação política, a presença maciça em um evento deste tipo também é um importante gesto de solidariedade com os comunistas israelenses, que sofrem toda sorte de coerção por sua corajosa defesa da causa palestina e por seu tenaz combate ao criminoso Netanyahu.

Para Euclides da Cunha, no livro Os Sertões, Antônio Conselheiro, líder de Canudos, era um “grande homem pelo avesso”, eternamente paralisado na zona cinzenta entre a insânia e a genialidade, sem transpor o limites desta área pois “seu misticismo comprimido esmagaria a razão”:
“o historiador só pode avaliar a altitude daquele homem, que por si nada valeu, considerando a psicologia da sociedade que o criou (…) Por isto o infeliz destinado à solicitude dos médicos veio, impelido por uma potência superior, bater de encontro a uma civilização, indo para a história como poderia ter ido para o hospício (…) A sua frágil consciência oscilava em torno dessa posição média, expressa pela linha ideal que Maudsley lamenta não se poder traçar entre o bom senso e a insânia. Parou aí, indefinidamente, nas fronteiras oscilantes da loucura, nessa zona mental onde se confundem facínoras e heróis, reformadores brilhantes e aleijões tacanhos, e se acotovelam gênios e degenerados. Não a transpôs.”
Por Wevergton Brito Lima
