Irã rejeita prorrogar suposto prazo do memorando de entendimento
Porta-voz iraniano afirma que memorando não estabelecia prazo para um acordo e acusa Washington de violar o entendimento desde o começo.
O Irã não reconhece a existência de um prazo de 60 dias que pudesse ser prorrogado no âmbito do entendimento firmado com os Estados Unidos. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (17) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei.
Segundo Baqaei, o documento não determinava um período para a vigência de um acordo. O texto apenas previa que, ao longo de 60 dias, poderiam ocorrer negociações sobre a questão nuclear iraniana. Como essas conversas sequer foram iniciadas, e Washington teria descumprido o entendimento desde o início, a discussão sobre uma extensão do prazo não faria sentido, explicou.
“O Irã não é um país que ajusta suas políticas sob pressão e prazos”, afirmou o porta-voz.
Baqaei acrescentou que as decisões de Teerã serão tomadas a partir de seus próprios interesses e de avaliações internas. Ele também informou que as Forças Armadas iranianas acompanham atentamente a evolução dos acontecimentos. Paralelamente, disse, o país mantém os esforços para ampliar a cooperação com outras nações da região.
Ao comentar declarações de Washington segundo as quais os Estados Unidos teriam revisto suas prioridades em relação ao Irã, o diplomata afirmou que a mudança revela a falta de clareza da posição americana. Na avaliação iraniana, a ofensiva contra o país teria como objetivo atender às ambições de “um regime em nossa região”.
O porta-voz recordou que, no início do conflito, os Estados Unidos alegaram estar reagindo a uma ameaça iminente representada pelo Irã. De acordo com Baqaei, porém, o próprio Pentágono contestou essa justificativa ao afirmar que não havia uma ameaça desse tipo.
“Eles se envolveram num impasse e, para justificar seus fracassos, se veem forçados a mudar seus objetivos”, declarou.
Baqaei afirmou ainda que a atenção de Washington agora se concentra no Estreito de Ormuz, passagem estratégica que, recorda ele, permanecia aberta antes da agressão contra o Irã.
Para o representante iraniano, os Estados Unidos deveriam deixar a região o quanto antes, evitando um envolvimento ainda maior. Ele disse que admitir um erro poderia permitir a adoção de uma decisão correta, mas demonstrou ceticismo quanto à disposição das autoridades americanas de fazê-lo.
Com informações de Opera Mundi e agências.
