Luta dos povos

“Com o povo, por Abril, por Portugal”: Comunistas portugueses conclamam voto em António Filipe

Caminhada de campanha em Vila Nova de Gaia, à esquerda de Antonio Filipe o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo

Neste domingo (18), Portugal realiza sua eleição presidencial. Reproduzimos, abaixo, o editorial do Avante!, órgão central do Partido Comunista Português (PCP) onde se faz uma conclamação para o voto em António Filipe. O Brasil tem muitos eleitores portugueses que podem votar. Caso conheça algum, compartilhe esta matéria.

Leia também: Conheça António Filipe, candidato comunista à presidência em Portugal (click no título).

Editorial – Avante!

Vamos votar em António Filipe

Estamos a três dias das eleições presidenciais do próximo domingo cujo resultado, pelo que significa no que diz respeito a opções e orientações do órgão de soberania Presidente da República, terá impacto na evolução da situação do País, na atualidade e no futuro.

A minha candidatura – como referiu António Filipe, no comício do domingo passado em Lisboa – é a que exige um novo rumo para o País, com a valorização dos salários de quem trabalha e o aumento das reformas e pensões de quem trabalhou uma vida inteira, com a valorização dos serviços públicos e das carreiras das funções públicas e sociais, com o reforço do Serviço Nacional de Saúde. Uma candidatura identificada com os valores pelos quais se fez a Revolução de Abril, que afirma esses valores no presente e como projeto de futuro para Portugal e que na Presidência da República dê tradução concreta ao juramento de cumprir e fazer cumprir a Constituição.”

É este caminho, são estas opções que é preciso reforçar na votação do próximo domingo.

De fato, os poderes de que o Presidente da República dispõe, se usados na boa direção, permitirão, pela sua influência, assegurar polí­ticas ao ser­viço dos tra­ba­lha­dores, do povo e do País.

É, pois, pre­ciso fazer tudo para ga­rantir uma grande vo­tação na can­di­da­tura de António Filipe, uma can­di­da­tura sin­gular, dis­tinta de todas as ou­tras, como a cam­panha elei­toral tem vindo a con­firmar, a única que ver­da­dei­ra­mente se afirma de­fen­sora da causa dos tra­ba­lha­dores e do povo.

Esta é a can­di­da­tura que os por­tu­gueses podem en­con­trar ao lado dos tra­ba­lha­dores, dos re­for­mados, dos jo­vens, dos micro, pe­quenos e mé­dios em­pre­sá­rios, dos agri­cul­tores e pes­ca­dores, dos trabalhadores e agentes da cultura, sem ar­ti­fí­cios nem du­pli­ci­dades.

Ne­nhuma outra can­di­da­tura dará ex­pressão à von­tade so­be­rana do povo por­tu­guês. Ne­nhuma outra as­su­mirá a de­núncia das in­jus­tiças, da ex­plo­ração, da cor­rupção e das op­ções de classe que estão na origem do fa­vo­re­ci­mento dos grandes grupos eco­nômicos e fi­nan­ceiros e das di­versas di­men­sões do ataque ao re­gime de­mo­crá­tico. É esta a can­di­da­tura que as­sume o com­bate à re­sig­nação e ao medo e que aposta na cons­trução de um Por­tugal com fu­turo.

Por isso, esta é a can­di­da­tura de todos aqueles que re­co­nhecem na Cons­ti­tuição da Re­pú­blica por­tu­guesa um pro­jeto de de­sen­vol­vi­mento so­be­rano e que, na sua con­cre­ti­zação, as­sumem a luta pelo pro­gresso so­cial e a paz.

Luta que é pre­ciso levar ao voto, no pró­ximo do­mingo, para que, pas­sadas as elei­ções, se possa levar o voto à luta e, com a força do voto, se possam pros­se­guir os com­bates por uma vida me­lhor, pelos di­reitos que o grande ca­pital todos os dias atro­pela ou es­maga, pela rup­tura com a po­lí­tica de di­reita que sub­mete o País às im­po­si­ções da União Eu­ro­peia e do euro e ao do­mínio do grande ca­pital.

É no quadro da ação reivindicativa que se desenvolve nas empresas e locais de trabalho, pelos salários e os direitos, que a CGTP-IN convocou a manifestação que anteontem se realizou em Lisboa para exigir a retirada do pacote laboral, reclamar a revogação das normas gravosas que a lei já hoje contém, exigir o aumento geral e significativo dos salários, defender melhores condições de trabalho, defender os serviços públicos e as funções sociais do Estado. Depois da greve geral de 11 de dezembro, uma das maiores já realizadas em Portugal, poderosa demonstração de força que contou com a adesão de mais de três milhões de trabalhadores, a manifestação do passado dia treze fez a entrega ao primeiro-ministro de mais de 190 mil assinaturas do abaixo-assinado contra o pacote laboral, exigindo a sua retirada.

Entretanto, a luta vai prosseguir contra o pacote laboral, por melhores salários e condições de vida.

Luta que envolverá também as populações em defesa dos serviços públicos, nomeadamente do SNS exigindo o fim do desmantelamento a que o Governo o está a sujeitar com o seu plano de entrega da Saúde aos grupos privados do negócio da doença, em defesa da Escola Pública e da concretização do direito à habitação, contra o assalto à Segurança Social que o Governo está a preparar, contra o criminoso processo de privatização da TAP. Mas também em defesa da paz, contra o genocídio do povo palestino por Israel e contra a agressão militar dos EUA à Venezuela, exigindo a libertação do seu presidente legítimo, Nicolas Maduro, e da sua esposa, a deputada Cília Flores.

Desenvolver a luta significa também apoiar a iniciativa e a ação do PCP na sua intervenção por uma outra política alternativa à política de direita que o Governo prossegue e aprofunda (com o apoio do Chega e IL e a cumplicidade do PS). E significa igualmente garantir apoios e votos no candidato António Filipe. O voto que abrirá um horizonte de esperança na vida deste País. O voto pela liberdade e os direitos, afirmando os valores de Abril. O voto que exige coragem, mobilização, luta e confiança. O voto pelo direito à vida justa e melhor, que a Constituição consagra.

Fonte: Avante!

 

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