Combatente cubano: “causamos mais baixas do que eles admitem”
O jornalista e sociólogo Ignacio Ramonet entrevistou o militar cubano, suboficial Yohandris Varona Torres, membro da equipe da segurança presidencial do presidente Nicolás Maduro, sequestrado pelos EUA, tendo participado do combate contra os sicários de Trump.
Segundo o texto de Ramonet, publicado no site Pátria Latina, Yohandris relatou com emoção sua experiência durante o ataque de 3 de janeiro, em Caracas. Eram quase duas da manhã quando o militar cubano viu o primeiro dos helicópteros pertencentes ao grupo de comandos americanos.
Ele mal teve tempo de deixar seu posto para se abrigar a poucos metros de distância e começar a atirar. Ele deve sua vida a essa decisão. Como se guiados por um mapa de precisão cirúrgica, os atacantes direcionaram o fogo para a cabana que ele ocupara segundos antes.
“Eles tinham muito mais poder de fogo do que nós”, conta Yohandri, “nós só tínhamos armas leves. Outro fator a favor deles era que pareciam saber onde tudo estava. Então, atiraram nos postos de guarda e nos dormitórios onde nós, cubanos, estávamos, e conseguiram matar, em primeiro lugar, os oficiais.”
Ele descreve um combate intenso, no qual os cubanos, mesmo com armamento inferior, lutaram bravamente contra um inimigo que parecia ter informações precisas sobre suas posições. A resistência só terminou com a morte da maioria dos defensores ou o esgotamento da munição. “Apesar da vantagem em poder de fogo”, acrescentou, “tenho certeza de que causamos baixas neles. Mais do que admitem. Lutamos bravamente. Continuamos atirando até que quase todos nós caíssemos, mortos ou feridos.”
Durante o relato, Ignacio Ramonet diz que o suboficial chorou de raiva em diversos momentos: “Yohandry se lembra de tudo com terrível clareza. Seus olhos parecem reproduzir cada imagem. Ele chora. Chora de raiva. Ele diz que jamais esquecerá o confronto, mas especialmente as horas que se seguiram, quando os sobreviventes do grupo tiveram que carregar os corpos de seus camaradas caídos. ‘Quando as bombas começaram a cair, a única coisa em que você pensa é em lutar. Estávamos lá para isso, e foi o que fizemos. Tudo o que me resta é a dor de não ter conseguido impedi-las. E essa dor’, diz ele, batendo no peito, ‘eu tenho que descontar no inimigo’.”
