Intervenção do PCdoB no Grupo de Trabalho do EIPCO – 19 de abril 2026
Camaradas,
Hoje, 19 de abril de 2026, em Istambul, uma cidade de profunda riqueza histórica, símbolo do encontro entre povos, culturas e continentes, e também um espaço marcado pelas lutas dos trabalhadores e das forças progressistas, em nome do Partido Comunista do Brasil, PCdoB, gostaria de saudar calorosamente todos os partidos presentes nesta reunião do Grupo de Trabalho do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários.
De maneira especial, saúdo o Partido Comunista da Turquia por sediar este encontro e, juntamente com o Partido Comunista de Cuba, por organizá-lo. Ambos os partidos desempenham um papel destacado na defesa da unidade do movimento comunista internacional, no fortalecimento da solidariedade entre os povos e na luta comum contra a ofensiva imperialista que se aprofunda em nossa época.
Vivemos um momento de intensificação das contradições do sistema capitalista e de avanço da ofensiva imperialista em escala global. Essa ofensiva se manifesta por meio de guerras, sanções, bloqueios econômicos, pressões políticas e tentativas de desestabilização de países soberanos. Ela ocorre em um contexto de crise estrutural do capitalismo, marcado por disputas cada vez mais acirradas por mercados, recursos naturais e áreas de influência.
A combinação entre crise econômica, instabilidade política e avanço tecnológico intensifica a competição entre grandes potências, elevando o risco de conflitos e aprofundando as tensões internacionais. Na Palestina, assistimos a um genocídio em curso contra seu povo, em uma das expressões mais brutais da violência imperialista no mundo atual. O que acontece em Gaza não pode ser naturalizado. Estamos diante da destruição sistemática de um povo e da negação de seu direito à existência e à autodeterminação.
O governo de Israel, sob a liderança de Benjamin Netanyahu, conduz uma política de guerra que promove um genocídio contra o povo palestino e amplia a instabilidade em toda a região. Milhares de crianças palestinas foram mortas, feridas ou privadas das condições mais básicas de sobrevivência. São vidas interrompidas, infâncias destruídas, um futuro inteiro sendo atacado diante dos olhos do mundo.
A causa palestina se afirma hoje como uma causa central na luta dos povos contra o imperialismo e exige de todos nós não apenas solidariedade, mas posicionamento firme e ação política consequente.
No Oriente Médio, assistimos à guerra contra o Irã, em um cenário de ataques diretos e crescente instabilidade. Ao mesmo tempo, Israel segue bombardeando o Líbano, atingindo áreas densamente povoadas, ampliando a tragédia humanitária e a expansão do conflito na região. Esses processos fazem parte de uma dinâmica mais ampla de resistência à perda da hegemonia imperialista pelos Estados Unidos.
Nesse contexto, é fundamental destacar o papel da OTAN como instrumento central da expansão militar e da política de confrontação em diversas regiões do mundo. A ampliação de sua presença contribui diretamente para o agravamento das tensões internacionais e para o aumento do risco de conflitos de maior escala. Diante disso, reafirmamos a necessidade de fortalecer a luta pela paz mundial.
Nesse cenário, Cuba segue sendo alvo de uma política sistemática de asfixia. A pequena e valente ilha, situada a menos de 150 quilômetros do maior império do mundo, resiste há mais de 65 anos a um bloqueio criminoso imposto pelos Estados Unidos, que no último ano se intensificou, agravando ainda mais as condições de vida de seu povo. Estamos diante de uma agressão permanente à sua soberania e de uma tentativa contínua de sufocar uma experiência histórica que ousou afirmar sua independência.
Mas Cuba resiste, e sua resistência se dá graças a um povo heroico, que ao longo de décadas demonstra extraordinária dignidade, firmeza e compromisso com seu projeto soberano. Cuba segue sendo, assim, não apenas um país, mas um símbolo vivo de resistência e esperança para os povos do mundo.
Reafirmamos que a solidariedade com Cuba é uma responsabilidade histórica e deve se expressar em ações concretas nos planos político, diplomático e também material.
No Brasil, enfrentamos uma batalha estratégica. Em um contexto em que o país se prepara para novas eleições, essa disputa ganha ainda mais relevância e se conecta diretamente com o enfrentamento às forças de extrema direita nas urnas no próximo mês de outubro. A ofensiva imperialista, especialmente sob a liderança de Donald Trump, busca reposicionar sua hegemonia global por meio da pressão sobre países soberanos como o Brasil. Essa estratégia incide diretamente sobre nosso país, tentando limitar sua autonomia, seu papel internacional e sua participação em iniciativas como os BRICS Plus e o fortalecimento do Sul Global.
Ao mesmo tempo, essa ofensiva se articula com forças internas, especialmente a extrema direita alinhada ao bolsonarismo, que atua como vetor político dessa agenda e promete entregar o Brasil e suas riquezas a Trump. Esse grupo de extrema direita não atua apenas no plano eleitoral. Ele mobiliza instrumentos de desinformação, plataformas digitais e redes internacionais para influenciar a opinião pública, atacar instituições e desestabilizar governos.
Nesse cenário, é impossível ignorar o papel nocivo das grandes plataformas digitais, as chamadas big techs. Essas empresas operam como veículos de disseminação de desinformação, manipulação algorítmica e propagação de fake news, influenciando processos políticos, alimentando o ódio e contribuindo para a corrosão da vida democrática e para a desestabilização de governos. Estamos diante de um fenômeno global que articula interesses econômicos, tecnológicos e políticos na reprodução de agendas reacionárias.
Por isso, no Brasil, a luta contra a extrema direita está diretamente ligada à defesa da soberania nacional e ao enfrentamento do imperialismo. Nossa principal batalha neste ano é reeleger o presidente Lula para barrar o fascismo e proteger nossa democracia.
Na América Latina, essa ofensiva se expressa de forma particularmente aguda. Assistimos a uma grave intervenção externa, com dimensões militares, políticas e econômicas em toda a região. É necessário registrar que, na América do Sul, o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama e deputada Cília Flores, da Venezuela, foram sequestrados em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos; que há tentativas do imperialismo de desestabilizar as eleições presidenciais na Colômbia; que foi firmado um acordo com o Paraguai que permite a militarização do país pelas forças armadas dos EUA; e que outros países como Chile, Bolívia, Peru e Equador fazem parte do chamado “Escudo das Américas”, formado pela Casa Branca para legitimar ingerências em nossa região e atentar contra a soberania das nações.
Observamos também importantes transformações no cenário internacional, com a China emergindo como uma grande potência global, provocando a ira belicista dos Estados Unidos. Sua força econômica, sua capacidade de incidir sobre cadeias globais de valor enquanto enfrenta suas questões sociais internas, e o papel de sua diplomacia na defesa do multilateralismo fazem da China uma referência na construção do socialismo no século XXI. O fortalecimento do Sul Global e o papel crescente de articulações como os BRICS Plus apontam para a possibilidade de construção de uma nova ordem internacional que supere aquela herdada do pós-Segunda Guerra Mundial, marcada pela progressiva desdolarização e centrada na soberania, cooperação e desenvolvimento entre as nações.
Diante desse cenário, consideramos fundamental reafirmar alguns pontos. Primeiro, a luta contra o imperialismo e contra o avanço das forças reacionárias exige amplitude política e capacidade de construção de convergências. Segundo, é essencial valorizar as experiências concretas de construção do socialismo em nosso tempo, que seguem sendo referências vivas da luta anti-imperialista. Terceiro, a unidade na ação é indispensável.
Sabemos que existem divergências entre os partidos, mas essas diferenças não podem impedir a cooperação, a solidariedade e a construção de ações comuns. Reafirmamos a importância de preservar o respeito mútuo entre os partidos, garantir a autonomia de cada organização e evitar ataques diretos entre nós. Esse é um caminho fundamental para que o Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários siga sendo um espaço de diálogo, convergência e construção coletiva.
Isso significa fortalecer campanhas internacionais, ampliar a mobilização política e social, nas redes e nas ruas, e estimular iniciativas efetivas de apoio aos povos que enfrentam a agressão imperialista.
Concordamos plenamente que o tema proposto para nosso encontro em Havana é extremamente adequado. Defender e honrar o legado da Revolução Cubana e de Fidel é afirmar uma referência histórica fundamental da luta anti-imperialista. Cuba permanece como símbolo da resistência dos povos diante da ofensiva imperialista. A responsabilidade histórica diante de nós é imensa.
Em um mundo marcado pela guerra, pela desigualdade e pela agressão imperialista, a atuação coordenada dos partidos comunistas e operários é mais necessária do que nunca. Por isso, concordamos com a resolução proposta para este encontro, elaborada pelo TKP e pelo PCC.
Recebam um grande abraço do Partido Comunista do Brasil e de toda a sua militância, que acredita e constrói, todos os dias, as condições para um mundo socialista rumo ao comunismo.
Muito obrigado.
