Súmula Internacional 132: Trump, a suspensão dos vistos de imigração e a linguagem oficial do fascismo
Leia mais: China derrota tarifaço e tem o maior superávit comercial da história / Trump admite que talvez tenha que escolher entre Otan e Groelândia / Ucrânia declara emergência energética
O governo Donald Trump segue dificultando cada vez mais a vida de quem nega sua inspiração fascista. O tom da xenofobia mais rasteira e aviltante vai aumentando e começa a fazer parte da própria linguagem oficial da Casa Branca.
Washington anunciou, nesta quarta-feira (14) a suspensão da emissão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, entre eles o Brasil. No dia anterior, o presidente estadunidense, em evento público, disse literalmente, referindo-se aos imigrantes, que “muitas dessas pessoas são assassinas” e criticou as cidades americanas que têm resistido às políticas de perseguição, acusando-as de fazerem “tudo que é possível para proteger criminosos sob o custo dos cidadãos americanos“.
Ao anunciar a medida da suspensão de vistos de imigração, o departamento de Estado divulgou a seguinte mensagem:
“A suspensão continuará em vigor até que os EUA possam assegurar que novos imigrantes não extrairão bem-estar do povo americano.”
Ou seja, a pessoa, acreditando no “sonho americano” vendido por Hollywood, imigra para os EUA, sofre o pão que o diabo amassou, trabalha muito geralmente em funções que o nativo rejeita, contribuindo decisivamente para a economia do país, mas como é imigrante, não merece ser tratada sequer como ser humano: não pode estar no mesmo nível dos legítimos arianos, perdão, dos legítimos estadunidenses, e qualquer direito que tenha conquistado com seu trabalho não passa de uma extorsão contra o povo escolhido. E, como se não bastasse tudo isso, essa pessoa imigrante ainda é acusada de ser, em princípio, uma facínora.
Trump, já havia associado, durante sua campanha ao primeiro mandato, em 2015, imigrantes mexicanos a criminosos e estupradores. Mas agora a associação direta de imigrantes com o crime é política oficial. Leiam outro texto do Departamento de Estado dos EUA, publicado nesta segunda-feira (12) na rede social X:
“O Departamento de Estado já revogou mais de 100 mil vistos, incluindo cerca de 8.000 vistos de estudantes e 2.500 vistos especializados para indivíduos abordados por forças de segurança dos EUA por atividade criminosa. Continuaremos a deportar esses bandidos para manter a América segura“.
Antes do atual presidente estadunidense, um certo líder europeu, austríaco de nascimento, Adolf Hitler, sustentava que o povo alemão tinha “um valor superior inato”, e protestava contra “a cegueira diante do perigo racial trazido pelo estrangeiro. Daí a ineficácia de todas as tentativas de reforma, de todas as obras de assistência social”. Baseado nestas crenças, Hitler “limpou” a Alemanha de “sangue impuro” e concomitantemente tentou escravizar boa parte do planeta.
É preciso mobilizar a humanidade contra Trump e o que ele representa.
China derrota tarifaço e tem o maior superávit comercial da história
O presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou seu segundo mandato, no início de 2025, deflagrando uma guerra tarifária contra a China. O tiro saiu pela culatra. A China obteve, em 2025, o maior superávit comercial de todos os tempos, de quase 1,2 trilhão de dólares, impulsionado pelo aumento das exportações para mercados fora dos EUA, informa a agência alemã DW. Notem que a cifra não representa apenas o maior índice obtido pela China, é o maior superávit comercial já alcançado por um país.
Segundo a DW, a China encerrou 2025 com um superávit comercial recorde de 8,51 trilhões de yuans (quase 1,2 trilhão de dólares ou R$ 6,5 trilhões).
O comércio ultrapassou 45 trilhões de yuans (6,4 trilhões de dólares) pela primeira vez, disse o vice-ministro da Alfândega, Wang Jun, citado pela DW, acrescentando que foi um novo recorde.
“Alguns países politizaram as questões comerciais e limitaram as exportações de alta tecnologia para a China. Se não o tivessem feito, teríamos importado mais“, disse ele, sem se referir diretamente às tarifas de Trump.
No entanto, “com parceiros comerciais mais diversificados, a capacidade [da China] de resistir a riscos foi significativamente aprimorada“, disse o ministro.
Wang afirmou que o mercado chinês se abrirá ainda mais em 2026, e os economistas concordam que isso provavelmente ocorrerá.
Se o presidente chinês, Xi Jinping, não fosse o homem extremamente educado e criterioso que é, divulgaria a notícia do superávit em sua rede social e faria um breve comentário, marcando Trump. O comentário teria apenas uma palavra: “Chupa”.
Trump admite que talvez tenha que escolher entre Otan e Groelândia

Algumas das típicas casas coloridas da capital da Groenlândia, Nuuk / Foto de Thomas Leth-Olsen CC BY-SA 2.0
O jornal Folha de SP informa que o primeiro encontro de alto nível entre delegações dos Estados Unidos e da Dinamarca, realizado nesta quarta-feira, para discutir a campanha de Donald Trump visando tomar a Groenlândia, ilha que pertence ao reino europeu, acabou sem nenhum acordo no horizonte.
Segundo a Folha: “Os chanceleres dinamarquês, Lokke Rasmussen, e groenlandesa, Vivian Motzfeldt, rejeitaram a venda do território autônomo ou sua entrega em caso de invasão militar do aliado nominal. ‘Nós não mudamos a posição dos americanos’, disse o diplomata.”
Os representantes de Trump nesta reunião foram fiéis ao chefe, que na manhã do mesmo dia havia publicado em sua rede social que a Otan “deveria liberar o caminho” para que os EUA ocupem totalmente a Groelândia, acrescentando que é inaceitável qualquer outro cenário que não seja o de controle absoluto da ilha.
Horas antes do encontro, a Dinamarca anunciou o aumento da presença militar na Groelândia e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a ilha “pertence ao seu povo” e que a população “pode contar” com apoio da União Europeia. Já o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, anunciou em entrevista a uma rádio que o país abrirá um consulado em Nuuk, capital do território, em fevereiro, em um sinal de apoio aos groenlandeses. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que uma eventual ação dos EUA iria acabar com Otan, declaração que é muito parecida com o que foi dito pelo presidente francês, Emmanuel Macron.
No entanto, especula-se que o fim da Otan ou mesmo a saída dos EUA da organização pode ser justamente o que busca o presidente estadunidense, que em uma recente entrevista ao The New York Times reconheceu que provavelmente terá que escolher entre preservar a integridade da Otan ou ocupar a Groelândia.
Ucrânia declara emergência energética
O líder ucraniano, Volodymir Zelensky, que governa baseado na lei marcial, anunciou nesta quarta-feira que pretende declarar estado de emergência para o setor energético do país, que foi severamente impactado por uma série de ataques aéreos russos em grande escala. Duas ondas de ataque, na quinta (8) e na segunda (12), deixaram mais da metade de Kiev sem energia. Segundo a Rússia, os ataques são direcionados a estruturas ligadas ao complexo militar ucraniano e visam tolher a capacidade da indústria de defesa.
O fato é que o país vive o pior inverno desde o início da Operação Militar Especial russa de 2022. Sistemas de aquecimento e distribuição de água estão seriamente afetados. Durante as noites, as temperaturas têm caído para -20 graus Celsius, e permanecem negativas ao longo do dia. Moradores de Kiev e Kharkiv, por exemplo, têm apelado ao derretimento da neve para ter água para beber, pois sem eletricidade, as bombas que fazem a distribuição do sistema não funcionam. Além disso, lareiras improvisadas e fogueiras são vistas dentro de apartamentos, elevando o risco de incêndios. O aquecimento também depende de energia, e os russos têm atingido os depósitos de gás do país, reduzindo a capacidade de produção e distribuição a zero. “As consequências dos ataques russos e da degradação das condições do tempo são severas“, admitiu Zelensky, em publicação no X. Com informações da Folha de SP e agências.

“Tudo em ruínas; restam rios, montanhas, / é primavera e crescem árvores, grama. / Ressentem o tempo as flores, deitam lágrimas, / ao ódio espantam-se e separam os pássaros. / Fogueiras queimam longo tempo aos cumes (1), / cartas do lar valendo uma fortuna (2). / Cabelos brancos cada vez mais ralos; / ao alfinete do chapéu nem bastam (3).”
Poema “Paisagem de Primavera (4)”, do chinês Du Fu (712-770) – Tradução e notas de explicação de Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao
1 – Refere-se às fogueiras da guerra, acesas pelos exércitos acampados.
2 – Um dos mais famosos versos da poesia chinesa, citado corriqueiramente em conversação, referindo-se ao valor inestimável de tudo o que é referente à família e à intimidade do lar.
3 – Na Dinastia Tang o chapéu do funcionário é preso aos cabelos longos por alfinete. Essa imagem (surpreendente, na medida em que quebra a atmosfera pesarosa do poema), carregada de materialidade, pela ironia e auto-humor mesclados à compaixão, é característica da poesia de Du Fu.
4 – Este poema foi escrito em 757, durante a guerra, na Chang’an ocupada.
Por Wevergton Brito Lima
