Visão Global

Promotoria pede pena de morte a ex-presidente sul-coreano

Procurador acusa Yoon Suk Yeol de tentar golpe em 2024 após mandar Exército à Assembleia Nacional. Coreia do Sul não executa sentença capital há quase três décadas.

O promotor especial da Coreia do Sul solicitou nesta terça-feira (13) a pena de morte para o ex-presidente do país Yoon Suk Yeol, acusado de planejar uma insurreição ao impor uma lei marcial em dezembro de 2024.

O crime acarreta punição severa na legislação sul-coreana, podendo chegar à pena de morte se for considerado culpado, embora o país não execute uma sentença deste tipo há quase três décadas.

Nas alegações finais no Tribunal Distrital Central de Seul, um promotor disse que os investigadores confirmaram a existência de um esquema supostamente dirigido por Yoon e seu ex-ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, com o objetivo de manter Yoon no poder.

Yoon alega ter decretado a lei marcial de emergência para proteger a democracia liberal, mas sua lei […] inconstitucional e ilegal prejudicou o funcionamento da Assembleia Nacional e da Comissão Eleitoral, destruindo, na verdade, a ordem constitucional democrática liberal“, afirmou o promotor em suas alegações finais.

O réu não se arrependeu sinceramente do crime, nem pediu desculpas ao povo“, disse.

Yoon diz que agiu dentro de limite dos poderes

Yoon, 65, negou as acusações. A lei marcial foi imposta por ele em 3 de dezembro de 2024 e durou apenas algumas horas. Na ocasião, Yoon mobilizou o Exército com o objetivo de suspender a Assembleia Nacional e enfraquecer a oposição parlamentar. Ele havia afirmado que a medida era necessária para proteger o país de “forças comunistas” em meio a constantes disputas com opositores. Sob pressão, recuou da medida.

Ele foi detido em janeiro, após diversas tentativas das forças policiais de prendê-lo em sua residência, guardada à época por homens da segurança presidencial. Em março um tribunal decidiu que sua detenção fora ilegal.

O ex-presidente foi oficialmente destituído do cargo em abril de 2025 pelo Tribunal Constitucional, após meses de manifestações massivas e caos político. Yoon voltou à prisão em junho devido ao risco de destruição de provas.

No processo judicial, o ex-presidente argumentou que agiu dentro de seus poderes como presidente ao declarar a lei marcial e que a ação tinha como objetivo alertar sobre a obstrução do governo pelos partidos da oposição. O tribunal deve decidir sobre o caso em fevereiro.

Yoon enfrenta oito processos judiciais por várias acusações criminais relacionadas com a lei marcial e outros escândalos relacionados com o seu mandato.

Coreia não executa alguém desde 1997

Em um processo judicial anterior, em 1995-1996, quando os ex-presidentes sul-coreanos Chun Doo-hwan e Roh Tae-woo foram acusados de insurreição, os promotores solicitaram a pena de morte e prisão perpétua para Chun e Roh, respectivamente.

O tribunal de primeira instância condenou Chun à pena de morte e Roh a 22 anos e meio de prisão. Uma corte de apelação revisou a sentença para prisão perpétua para Chun e 17 anos para Roh. Ambos receberam perdão presidencial após passarem cerca de dois anos na prisão.

A Coreia do Sul proferiu sua última sentença de morte em 2016, mas não executa ninguém desde 1997.

O gabinete do presidente Lee Jae Myung, eleito após a destituição de Yoon no ano passado, disse em um comunicado que “acredita que o Poder Judiciário decidirá de acordo com a lei, os princípios e normas públicas“.

Fonte: Agência DW com Reuters e AP

 

Leia também: