Súmula Internacional 127: Fraude rentável – Meta lucra bilhões com golpes e anúncios falsos
Leia mais: Belém – Petro diz que Trump é contra a humanidade, China e ONU apoiam Brasil / Reunião da Celac será de solidariedade à Venezuela / Europa reduz em 43% envio de armas à Ucrânia
A agência Reuters divulgou, nesta quinta-feira (6), uma reportagem relevando que a Meta projetou que 10% de sua receita em 2024 viria de anúncios de golpes e produtos proibidos. O texto foi baseado em documentos internos da empresa de Mark Zuckerberg. A matéria, assinada pelo jornalista Jeff Horwitz, revela que os lucros advindos de golpes que enganam, desinformam e prejudicam milhões de pessoas ao redor do mundo são previstos normalmente como parte da receita. Segundo Jeff Horwitz, a Meta projetou internamente no final de 2023 que obteria cerca de US$ 16 bilhões em 2024 provenientes de anúncios de golpes e produtos proibidos.
15 bilhões de anúncios de golpes por dia
Ainda segundo a Reuters, os documentos mencionados revelam que a empresa exibe um número gigantesco de golpes e quando um anúncio revela claros sinais de ser fraudulento, a Meta imediatamente toma uma providência: cobra mais caro do anunciante, “um documento de dezembro de 2024 observa que a empresa exibe aos usuários de suas plataformas cerca de 15 bilhões de anúncios de golpes ‘de maior risco’ – aqueles que apresentam sinais claros de serem fraudulentos – todos os dias (…) Entre suas respostas a supostos anunciantes fraudulentos: cobrar deles um valor premium pelos anúncios”.
Assim, usuários do Facebook, Instagram e WhatsApp ficam expostos a esquemas fraudulentos de comércio eletrônico e investimentos, cassinos ilegais online e venda de produtos médicos proibidos.
O porta-voz da Meta, Andy Stone, contestou as estimativas da reportagem, embora o texto da Reuters cite números que foram produzidos pela própria Meta. Segundo Stone, a estimativa de anúncios falsos era “aproximada e excessivamente inclusiva” e o número real seria menor porque incluía igualmente “muitos” anúncios legítimos. Porém, ele se recusou a fornecer um número atualizado.
A aceitação pela Meta de receitas provenientes de fontes fraudulentas destaca a falta de supervisão regulatória da indústria publicitária, disse Sandeep Abraham, examinador de fraudes e ex-investigador de segurança da Meta, que agora dirige uma consultoria chamada Risky Business Solutions.
“Se os reguladores não tolerariam que bancos lucrassem com fraudes, eles não deveriam tolerar isso na tecnologia”, afirmou à Reuters.
Leia a íntegra da matéria (em inglês): https://www.reuters.com/investigations/meta-is-earning-fortune-deluge-fraudulent-ads-documents-show-2025-11-06/?utm_source=Sailthru&utm_medium=Newsletter&utm_campaign=Daily-Briefing&utm_term=110625&lctg=64511b7be2ddb1df1300aefe
Petro diz que Trump é contra a humanidade, China e ONU apoiam Brasil
Na Cúpula de Belém, iniciada nesta quinta-feira, preparatória para a COP-30, o presidente colombiano Gustavo Petro fez acusações contundentes contra o presidente dos EUA, Donald Trump. Petro disse que o mundo “está perto de um colapso climático, um ponto de não retorno, um verdadeiro apocalipse”, e aproveitou para lamentar a ausência dos EUA no encontro em Belém, “Trump está 100% errado, ele é um negacionista científico”. Ele também criticou os gastos de países europeus em armamentos, “o inimigo não é a Rússia, é a crise climática”.
O presidente da Colômbia, que, no próximo domingo será o anfitrião da cúpula conjunta de chefes de Estado da Comunidade Latino-americana e Caribenha (Celac) e da União Europeia (UE), aproveitou para denunciar as ameaças de Trump a seu país e à Venezuela. Petro, que foi acusado de narcotraficante pela Casa Branca, disse que todos os países da região estão ameaçados por Trump neste momento, “Trump está contra a humanidade”, denunciou. A ausência de representantes americanos no encontro foi um ponto central dos debates.
Em um contraponto ao ceticismo, a posição brasileira de focar na “implementação” de acordos, em vez de novas negociações, expressa pelo presidente Lula no discurso de abertura da reunião, recebeu forte respaldo. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alinhou-se à proposta, declarando que “a ONU não vai se render” no desafio de limitar o aquecimento global e que é tempo de agir.
A China, representada pelo Vice-Primeiro-Ministro do Conselho de Estado, Ding Xuexiang, também apoiou a urgência da ação. Reconhecendo o “momento crítico”, Xuexiang assegurou que a China “honra seus compromissos” e acelerará sua transição verde, respaldando a necessidade de colocar em prática os acordos climáticos já firmados.
Mauro Vieria: Reunião da Celac será de solidariedade à Venezuela

Foto: Anderson Coelho – Reuters
O chanceler Mauro Vieira confirmou, nesta quarta-feira (5) que a cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) com a presença do presidente Lula, será de solidariedade à Venezuela. O país enfrenta forte pressão dos EUA, que realizaram ataques a barcos no Caribe e ameaçam uma incursão terrestre.
Vieira destacou que a reunião que ocorrerá na Colômbia nos dias 9 e 10, representa uma expressão de “apoio e solidariedade regional à Venezuela” e reforçou a posição da política externa brasileira de que a América do Sul é uma “região de paz e cooperação”. Uma declaração conjunta de apoio está sendo estudada e dependerá das negociações.
O chanceler não crê que a medida prejudique as negociações comerciais com os EUA sobre tarifas. Ele participará de uma reunião do G7 no Canadá, onde um encontro com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, é esperado.
Lula havia adiantado que a pauta da Celac incluiria a situação venezuelana e a crescente presença militar americana na região, com o Brasil buscando atuar como mediador. Nos últimos meses, violando todas as leis internacionais, os EUA bombardearam embarcações na costa sul-americana, resultando em pelo menos 66 mortes.
Após exigência de Trump, Europa reduz em 43% envio de armas à Ucrânia
Reportagem desta terça-feira (4), de Igor Gielow, na Folha de SP, revelou que, após um acordo de líderes da Europa com Trump pelo qual o velho continente repassaria armas compradas dos americanos a Kiev, os europeus diminuíram o apoio bélico ao regime de Zelensky em 43%. A matéria é baseada em dados do Instituto alemão Kiel. O texto afirma ainda que tal queda representa o fracasso do programa “Lista de Requisitos Priorizados para a Ucrânia” (Purl, na sigla inglesa), acrescentando que os EUA não enviaram mais qualquer nova ajuda financeira desde o início do segundo mandato de Trump, cumprindo apenas com compromissos anteriormente agendados.

“Em que céus mais azuis, mais puros ares, / Voa pomba mais pura? Em que sombria / Moita mais nívea flor acaricia, / A noite, a luz dos límpidos luares? / Vives assim, como a corrente fria, / Que, intemerata, aos trêmulos olhares / Das estrelas e à sombra dos palmares, / Corta o seio das matas, erradia.”
Trecho de Via-Láctea – Olavo Bilac
Por Wevergton Brito Lima
