Declaração final do 24º EIPCO: Impulsionar a luta anti-imperialista
Foi divulgada, nesta segunda-feira (17), a versão final da Declaração do 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), realizado em Havana, Cuba, no início de agosto. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) foi representado no evento por uma delegação formada por Ana Prestes, Secretária de Relações Internacionais, Ricardo Abreu Alemão e Socorro Gomes, membros do Comitê Central.
Leia também, nestes links, a íntegra do discurso de Ana Prestes no EIPCO: PCdoB: unidade dos povos contra o imperialismo e o fascismo e o artigo Em Havana, EIPCO reafirma unidade anti-imperialista e legado de Fidel
Abaixo a íntegra da declaração do 24º EIPCO.
Havana, Cuba, 7 e 8 de agosto de 2026
“Defendendo e honrando o legado da Revolução Cubana no centenário do nascimento de Fidel e consolidando a solidariedade com Cuba socialista; fortalecendo as ações conjuntas e unindo forças pela paz e contra a agressão imperialista”.
Os partidos comunistas e operários reunidos em Havana, Cuba:
Reconhecem a complexidade do atual contexto internacional e a ameaça representada pela política agressiva e intervencionista dos Estados Unidos e de outras potências imperialistas, no marco do sistema imperialista e das relações de rivalidade e concertação que o atravessam, para a defesa da soberania, da independência e da autodeterminação de nossos povos; para eliminar a exploração do homem pelo homem e pôr fim às causas das guerras imperialistas, da pobreza e da opressão dos povos; bem como para garantir a proteção do meio ambiente.
Sublinham a importância da unidade, da solidariedade e da cooperação entre os partidos comunistas e operários como via fundamental para alcançar uma resposta contundente ao aumento das desigualdades e da exploração nos países capitalistas de todo o mundo, bem como ao agravamento das rivalidades e contradições no próprio sistema imperialista e à ofensiva belicista dirigida pelos Estados Unidos, que está provocando novas agressões e conflitos.
Insistem na pertinência de promover debates e deliberações sobre temas que contribuam para a articulação e a sinergia entre os partidos comunistas e operários que integram esta plataforma histórica, que se aproxima de completar 30 anos de existência.
Reafirmam a atualidade do pensamento do líder histórico da Revolução Cubana, Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz, no contexto da comemoração do centenário de seu nascimento. Suas ideias contra a exploração capitalista, profundamente anti-imperialistas, humanistas, internacionalistas e solidárias, são imprescindíveis para enfrentar os colossais desafios do atual cenário internacional, deter o ressurgimento do fascismo e proteger as futuras gerações do flagelo do imperialismo e da guerra. Seus esforços e ações concretas na luta pelo socialismo e no fortalecimento da unidade e da ação conjunta entre os partidos comunistas e operários, bem como do conjunto das forças anticolonialistas e anti-imperialistas, possuem hoje uma relevância extraordinária e constituem o caminho a seguir para continuar avançando rumo a uma articulação dinâmica e forte, em conflito com o grande capital e seu poder. Seu compromisso inabalável com a paz real para os povos, com o direito internacional e com os propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas — conquistas garantidas graças à União Soviética e aos demais países socialistas e hoje submetidas a um processo de corrosão — conclama-nos a manter erguidas as bandeiras da luta por uma ordem internacional verdadeiramente justa, democrática e equitativa para nossos povos, que o socialismo pode garantir.
Reiteram sua solidariedade ao Partido Comunista de Cuba e ao valoroso povo cubano, que resiste a uma agressão imperialista sem precedentes, em razão das pretensões do atual governo dos Estados Unidos de derrubar a Revolução e reverter as conquistas alcançadas ao longo de 67 anos.
Condenam o bloqueio econômico, comercial, financeiro e energético genocida e desumano imposto pelo governo dos Estados Unidos, cujos impactos terríveis prejudicam sensivelmente a vida cotidiana de todos os cubanos e impedem o legítimo direito ao desenvolvimento do país. Esse sistema de medidas coercitivas unilaterais torna-se cada dia mais abrangente, pois foi intensificado por meio de duas ordens executivas que agravam seu caráter ilegal e coercitivo.
Denunciam a acusação arbitrária contra o General de Exército Raúl Castro Ruz, feita pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, como parte da estratagema para manchar a grandeza de sua figura e sua legitimidade incontestável.
Exigem a exclusão de Cuba da espúria e unilateral lista dos Estados Unidos de países que supostamente patrocinam o terrorismo, classificação que carece de todo sentido quando nos lembramos das mais de 3 mil vítimas que o nobre povo cubano teve em consequência desse flagelo.
Sublinham o caráter irrevogável da vontade do povo cubano de construir e alcançar o socialismo como único sistema capaz de garantir a plena liberdade do ser humano.
Nesse sentido, acordam as seguintes ações:
- Continuar apoiando e acompanhando o povo cubano, o Partido Comunista de Cuba e a Revolução diante da atual agressão imperialista.
- Articular diferentes ações e iniciativas que permitam ampliar a denúncia contra o bloqueio econômico, comercial, financeiro e energético imposto pelo governo dos Estados Unidos contra Cuba.
- Continuar avançando no fortalecimento da cooperação e da unidade entre os partidos comunistas e operários na luta contra o imperialismo e o capitalismo, em defesa e afirmação da soberania e dos direitos, para alcançar a paz e o socialismo.
- Continuar desenvolvendo a solidariedade com as lutas dos povos que, em todo o mundo, defendem sua soberania e seus direitos diante da agressão e da ingerência do imperialismo, como a luta do povo palestino e de outros povos do Oriente Médio, da América Latina e do Caribe e da África.
- Impulsionar o movimento de solidariedade com os povos contra a agressão imperialista e com as lutas da classe operária e dos povos de todo o mundo; honrar a história do movimento comunista e das lutas de classes; e analisar as conclusões da trajetória dos EIPCO tendo em vista o 30º aniversário de sua fundação, em 2028.
