Súmula Internacional 140: EUA x Irã – Fracasso militar, impasse político e vassalagem europeia
Leia mais: Chipre – Comunistas obtêm expressiva votação para o parlamento nacional / “O povo boliviano está se rebelando contra um governo submisso aos EUA”, diz Morales / Avança a nazificação da Ucrânia
Circulam notícias, na tarde desta quinta-feira (28), dando conta de que Irã e EUA teriam chegado a um entendimento para estender o cessar-fogo (tantas vezes desrespeitado por EUA e Israel) por mais 60 dias, na tentativa de chegar a um acordo de paz final. Independentemente de a notícia vir ou não a ser confirmada, o fato é que a ofensiva militar de Estados Unidos e Israel contra o Irã completa três meses acumulando reveses estratégicos para os agressores. Apesar da destruição provocada, Teerã preservou sua soberania e viu sua influência crescer, evidenciando os limites do poderio bélico ocidental.
Dados de fontes norte-americanas insuspeitas confirmam o desgaste. Reportagem do New York Times aponta que a retaliação iraniana deixou inutilizáveis muitas das 13 bases militares dos EUA na região, forçando a dispersão de milhares de soldados. Paralelamente, relatório do Congresso dos EUA, divulgado pelo portal The Hill, admitiu baixas na casa das centenas e a perda ou dano de ao menos 42 aeronaves militares, incluindo caças e helicópteros.
Esse cenário aprofunda divisões em Washington. O “partido da guerra” oscila entre a retórica de escalada total e recuos táticos para evitar um colapso econômico.
Como aponta corretamente o articulista do jornal comunista português Avante!, Jorge Cadima, a insanidade imperialista estimula provocações globais de seus aliados, como o bombardeio ucraniano, em 21 de maio, à escola de Starobelsk, no Donbass, que deixou 21 mortos, a maioria jovens entre 14 e 18 anos.
A crise atual não só corrói as bases da liderança estadunidense como também desmoraliza totalmente o prestígio político e diplomático do Ocidente, desnudando sua hipocrisia e padrão duplo. No início da Operação Especial Militar russa na Ucrânia, em 2022, os discursos unânimes dos líderes europeus bradavam indignados sobre a necessidade do respeito à soberania, à autodeterminação e ao direito internacional. Alguns chegaram a comparar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, a Hitler, pelo que eles consideravam uma violação aberta desses preceitos.
Quando, por outro lado, EUA e Israel atacam criminosamente o Irã sem qualquer justificativa (ao contrário da Rússia em relação à Ucrânia), essas mesmas vozes silenciam e inacreditavelmente só voltam a ser ouvidas para condenar o Irã por se defender. O mesmo aconteceu diante do massacre ucraniano contra os estudantes russos, que foi recebido com silêncio total dos supostos campeões europeus dos direitos humanos.
Como afirma Jorge Cadima: “As potências europeias parecem querer recuperar a sua vocação histórica para o militarismo imperialista. Convém não esquecer que a Europa foi o berço das duas guerras mundiais, do colonialismo imperialista e do nazifascismo. Divididos, e tendo-se atrelado a um curso suicida de vassalagem aos EUA que o desprezo de Trump torna ainda mais grotesco, parecem encontrar na escalada militarista um toque a rebate. Tendo chegado à beira do precipício, parecem determinados em dar um passo em frente. É tempo de dizer basta!”
Chipre: Comunistas obtêm expressiva votação para o parlamento nacional
Em eleição realizada neste último domingo (24), o Partido Progressista do Povo Trabalhador do Chipre, conhecido pela sigla Akel, alcançou 23,9% dos votos para o parlamento nacional, conquistando 15 dos 56 assentos da Câmara dos Representantes, consolidando-se como a segunda força política nacional, atrás apenas da direita tradicional representada pelo partido Reunião Democrática (DISY), com 17 cadeiras.
O Akel é uma organização integrante do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO). O secretário-geral, Stefanos Stefanou, divulgou uma declaração intitulada “O AKEL está aqui, forte, na Câmara dos Representantes e junto ao povo!”.
Segundo o dirigente comunista cipriota, “a noite de hoje marca o início de uma nova trajetória ascendente. Uma trajetória que significa não apenas a recuperação de nossos percentuais, mas também um voto de confiança que recebemos da sociedade”.
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) enviou uma mensagem de congratulações, assinada pela Secretária de Relações Internacionais, Ana Prestes: “Recebemos com alegria e esperança a notícia do excelente desempenho do Akel na eleição para a Câmara de Representantes. Em um momento internacional conturbado, quando as forças do imperialismo e do fascismo ameaçam o futuro da humanidade, o resultado alcançado por seu partido é uma inspiração e um incentivo para a luta em defesa da soberania, da democracia e do socialismo”.
A eleição no Chipre, no entanto, não trouxe apenas boas notícias. A força de extrema-direita Frente Popular Nacional (ELAM) registrou um crescimento expressivo, alcançando 10,9% dos votos e dobrando sua representação parlamentar de 4 para 8 assentos.
Morales: O povo boliviano está se rebelando contra um governo submisso aos EUA

O ex-presidente boliviano Evo Morales declarou, nesta quarta-feira (27), que o povo boliviano se rebelou contra um governo conservador submisso aos EUA e que vem causando a deterioração da situação econômica no país.
Os manifestantes, que ocupam as ruas exigem a renúncia do atual presidente Rodrigo Paz, que acusou Morales de estar por trás dos protestos.
Por outro lado, o parlamento boliviano votou de forma esmagadora a favor de revogar uma lei que limitava a capacidade do presidente de impor estado de emergência, concedendo a Rodrigo Paz amplos poderes para mobilizar o exército e reprimir os massivos protestos populares.
As mobilizações foram cenário de violentos confrontos entre a polícia e os manifestantes. A polícia de choque utilizou gás lacrimogêneo, enquanto os manifestantes ergueram barricadas, incendiaram pneus e arremessaram pedras contra as forças de segurança.
Houve relatos de mortos e feridos, além de dezenas de prisões.
Os protestos se intensificaram desde o início de maio na Bolívia, depois que os sindicatos lideraram um amplo movimento para exigir melhores salários, fornecimento estável de combustível e melhor gestão econômica.
O governo de Rodrigo Paz afirma que as manifestações atuais “não têm demandas legítimas de uma vida digna“, mas buscam “minar o sistema democrático” do país, e acusa Morales de orquestrar esses distúrbios.
Rumores apontam que forças do exército dos EUA, em conjunto com militares bolivianos, estariam se mobilizando para prender Evo Morales.
Avança a nazificação da Ucrânia
O Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa divulgou um relatório apontando que a ideologia nazista cada vez mais se firma como dominante no Estado ucraniano. As principais evidências apresentadas pelo texto são:
– O regime de Kiev “copia meticulosamente” as políticas e práticas da Alemanha nazista, enquanto violações sistemáticas dos direitos humanos afetam todas as áreas da vida pública.
– O relatório aponta para a glorificação de colaboradores nazistas, como Stepan Bandera, Roman Shukhevich e a Divisão Galícia, que atuava em conjunto com a SS.
– Kiev está travando uma guerra contra a memória dos soldados do Exército Vermelho que derrotaram o nazismo, demolindo monumentos soviéticos e restringindo as comemorações do Dia da Vitória.
– A língua russa foi marginalizada da vida pública, da educação, da ciência, da mídia e da cultura, enquanto milhões de ucranianos falantes de russo sofrem discriminação sistemática.
– As forças de oposição, a mídia independente e figuras públicas estão sendo reprimidas sob a acusação de “trabalharem para a Rússia”.
Sobre esse último aspecto destacamos a situação do Partido Comunista da Ucrânia, maior força de esquerda do país, que atualmente atua na ilegalidade, com vários de seus dirigentes perseguidos ou presos.

Só o proletariado pode levar até o fim as tarefas revolucionárias, já que os aliados transitórios das camadas médias se caracterizam pela pusilanimidade e racionalizam a inércia, convencendo-se, nos momentos decisivos, de que a passividade é a atitude correta:
“um conjunto de sentimentais que só estavam resolvidos à irresolução e que, sendo demasiado covardes para agir, tinham decidido, de uma vez por todas, que não fazendo nada, estavam a fazer exatamente o que devia ser feito.” – Frederich Engels, Revolução e Contrarrevolução na Alemanha, 1852.
Por Wevergton Brito Lima
