O perigo do fascismo e da guerra
O imperialismo “trás a guerra como a nuvem trás a tempestade”. Fascismo e guerra caminham de mãos dadas, e a deriva antidemocrática e militarista intrínseca ao neoliberalismo, se não for derrotada, tem o fascismo como desenvolvimento lógico.
Por Albano Nunes, publicado originalmente no Avante!
O revisionismo histórico, a promoção do racismo, do ódio e da violência; a propaganda da inevitabilidade da guerra para “defesa dos valores e do modo de vida do Ocidente”, a construção acelerada de “economias de guerra”, aí estão a apontar para uma brutal intensificação da exploração e da opressão dos trabalhadores e dos povos que salve o capitalismo da crise estrutural em que se debate. É muito significativo que o fantasma do “comunismo” esteja a ser agitado pela administração norte-americana não só para justificar a sua cruzada reacionária no plano interno (onde até os opositores “democratas” são taxados de comunistas, lembrando a “caça às bruxas” dos tempos do “macartismo”) mas também para justificar a agressão a países soberanos e a promoção e apoio às forças mais reacionárias e fascizantes por esse mundo fora. Como no caso da América Latina (desde El Salvador à Argentina passando pela Venezuela e Cuba) ou na Europa onde os EUA têm desenvolvido descaradas ações de promoção e apoio às forças mais reacionárias.
É neste quadro que a reunião do passado dia 16 de julho em Washington sob a bandeira do “combate ao terrorismo internacional de extrema-esquerda” não deve ser subestimada. Apesar de entre os representantes de 67 países se encontrar o embaixador de Portugal nos EUA, ela esteve praticamente ausente nos comentários dos ditos “especialistas” em relações internacionais que enxameiam o espaço público. Mas o tema da reunião, as gravíssimas afirmações nela produzidas por Marco Rubio (nada mais nada menos que o Secretário de Estado da maior potência capitalista do mundo) e a proclamação de “liderança” pelos EUA do combate à “ameaça comunista” representam um perigoso passo adiante das forças mais negras da reação norte-americana na promoção do fascismo a partir do próprio poder.
Haverá quem assobie para o lado ou atribua tudo isto às “maluqueiras” e à megalomania de Trump, a um acidente de percurso da “potência imprescindível” e “farol do mundo livre” que próximas eleições corrigirão. Mas é uma evidência que a questão é bem mais séria, tem raízes na própria essência reacionária e criminosa do imperialismo. Atente-se na apresentação de Israel (genocídio do povo palestino) e da Ucrânia (com a aberta reabilitação de nazis ao ponto de provocar o protesto da Polônia) como postos avançados da “democracia” e da “civilização ocidental”. Atente-se no poder das chamadas “Big Tech” norte-americanas e no ativismo fascizante de Elon Musk e outros bilionários seus proprietários. Atente-se na consideração da República Popular da China com a sua orientação socialista como “ameaça existencial” aos EUA. Atente-se num infame relatório do Departamento de Estado de 20 de julho significativamente intitulado “Cuba: a capital do comunismo do século XXI” que o Governo cubano prontamente desmascarou como propaganda visando dar cobertura a uma agressão militar à Ilha da Liberdade.
Fonte: Avante! Jornal que é o órgão Central do CC do Partido Comunista Português
